O desfecho perfeito para uma semana surreal em Alvalade

Sporting 3 – 0 Estoril (Adrien 20´ e 85´ g.p.; SLimani 57´)

Depois da tempestade vem a bonança. Após dias de enorme instabilidade em Alvalade, que culminaram com uma nanientrevista a roçar o surreal de José Eduardo à RTP, o Sporting venceu o Estoril, um adversário teoricamente complicado, por números claros e com uma exibição convincente. Isto horas depois de o SC Braga ter perdido e de  Bruno de Carvalho ter garantido em declarações à Sporting TV que Marco Silva está para durar no comando técnico.  Antes da recepção ao Famalicão e da visita a Braga, o ar parece estar bem mais respirável.

O Sporting entrou em campo com uma novidade. Nani ocupou posição no centro do terreno, a jogar nas costas de Slimani. Nas alas estavam Carrillo e Mané e a ´fava´ saiu a João Mário, que se sentou no banco. Marco Silva apostou na criatividade, imprevisibilidade e mobilidade destes três elementos e a estratégia acabou por dar resultado no primeiro tempo. Sem deslumbrar, os leões tiravam partido do espaço concedido pelo Estoril, que se apresentou em Alvalade com uma estratégia ousada e sem qualquer receio pelo adversário. José Couceiro montou a equipa em 4x2x3x1, com Diogo Amado a ter mais liberdade no momento ofensivo e com Tozé a colocar-se em posição de servir Kléber, que tentava explorar a profundidade. À frente dos defesas era ao médio-defensivo Esiti que cabia a tarefa de manter os equilíbrios.

A velocidade do jogo, que se iniciou numa toada de parada e resposta, acabou por ter um preço elevado para os estorilistas, com o Sporting a pressionar alto e a conseguir situações de superioridade numérica na zona central do meio-campo. Logo aos 8´ só uma enorme defesa de Kieszek negou o golo a Carrillo. Mas aos 20´ o guarda-redes nada pôde fazer perante uma bomba de Adrien Silva, que beneficiou de uma recepção defeituosa de Esiti para fuzilar a baliza do Estoril. Em vantagem no marcador, o conjunto de Marco Silva baixou a intensidade de jogo e privilegiou a posse e a contenção, impedindo o adversário que criar perigo. Isto até aos minutos finais do primeiro tempo, momento em que os leões voltaram a ´carregar´ para aumentar a vantagem. Adrien, descoberto por Nani, teve nos pés uma possibilidade soberana para bisar, mas permitiu a antecipação de Yohan Tavares.

O Sporting vencia com justiça, mas a margem mínima não dava espaço para distracções. Aos 53´, Marco silva tirou de campo o desinspirado Carlos Mané e colocou João Mário, colocando Nani na ala. Com esta alteração, os verdes e brancos ganharam consistência e obrigavam o Estoril a falhar consecutivamente na zona de construção. E quatro minutos depois da substituição, Slimani fez o golo que tranquilizou as hostes. Jogada de envolvimento, cruzamento perfeito de Jefferson e o argelino só teve de esticar o pé e encostar para o fundo das redes.

Com cerca de meia hora para o final, tudo estava resolvido e a paz reinava em Alvalade, o epicentro da polémica nos últimos dias. O Estoril não atinava e o Sporting ia desperdiçando oportunidades, algumas incríveis, para marcar o terceiro.  Que surgiu mesmo aos 85´, na sequência de um penalti sobre Carrillo. Adrien marcou sem mácula e bisou no jogo. No final, Nani fez por levar o segundo cartão amarelo e ser expulso. O motivo é simples: o extremo tinha um amarelo que o tirava do jogo em Braga, mas com a expulsão cumpre o castigo frente ao Famalicão e fica disponível para a visita à capital do Minho.

Destaques:

Jefferson e Cédric: Os dois laterais do Sporting, que chegaram a ver a titularidade posta em causa por Jonathan e Miguel Lopes, deram provas de que são as melhores soluções que os leões têm no plantel para a posição. Jefferson foi determinante na assistência para o segundo golo, Cédric conseguiu ´secar´ o irrequieto Kuca, obrigando á sua substituição aos 60´.

Carrillo: Determinante a nível ofensivo e defensivo. Um jogo em que foi evidente que o peruano se está a tornar num jogador mais completo, consistente e ´de equipa´. Mérito a Marco Silva, o técnico que está a finalmente a conseguir tirar o melhor de Carrillo.

Slimani: Em vésperas de se juntar à sua selecção para competir na CAN, o argelino despediu-se com um golo e uma exibição de raça, ao nível do que já habituou os adeptos. Veremos se terá substituto à altura.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *