Modelo de jogo – Organização Defensiva

Um jogo de futebol divide-se em quatro momentos do jogo: organização ofensiva, transição ofensiva, organização defensiva e transição defensiva. Em cada um destes momentos, o jogador deve saber o que fazer para resolver rapidamente e tomar as melhores decisões nas diversas situações que a partida proporciona, sendo que estas decisões devem ser individuais, grupais, sectoriais, intersectoriais e colectivas.

Dentro destes quatro momentos, cabe ao treinador definir um modelo de jogo e de actuação, tendo em conta aspectos como as linhas de passe, triangulações, circulação da bola, diagonais, ocupação espacial, amplitude, profundidade, corredores laterais e centrais, jogo horizontal e vertical, blocos defensivos, basculações, posse de bola e manutenção, passes lateralizados, movimentações da equipa, agressividade, marcação, jogo entrelinhas, jogo aéreo, etc.

Neste artigo, vamos analisar a organização defensiva:

No momento da organização defensiva a equipa procura recuperar a posse de bola para realizar acções ofensivas. Nesta fase, o objectivo é restringir o tempo e espaço ao dispor dos atacantes contrários, colocando-lhes pressão e impossibilitando-os de progredir no terreno, protegendo assim o espaço defensivo e a baliza. A ordem é para condicionar, direccionar e pressionar.

O processo defensivo não deve apenas focar-se em contrariar as acções ofensivas do adversário, mas também em preparar o processo ofensivo logo que a recuperação seja concretizada. Deve, por isso, assumir um carácter construtivo.

Organização posicional

– Conseguir organizar posicionalmente a equipa, em termos de largura e profundidade

Direccionar o adversário

– Condicionar e direccionar o adversário a jogar por onde queremos. Obrigar a jogar pela ´periferia´, isto é, sobretudo pelos corredores laterais

Pressão para ganhar a bola

– Pressionar para provocar o erro ou ganhar a posse de bola. Se a bola entrar no espaço interior, todos os jogadores devem ajudar com o objectivo de recuperar a posse, provocar o erro no adversário e fazer sair a bola desses espaços.

Ganhar a bola

– No momento em que ganha a bola, a equipa deve concentrar-se para entrar rapidamente no processo ofensivo.

Uma equipa pode colocar em prática os seus princípios através de acções individuais (desarme, intercepção, marcação, etc.), acções colectivas elementares (dobra, entreajuda, compensação, antecipação, etc.) e acções colectivas complexas (marcação individual, mista, à zona, zonas de pressão e recuperação, etc.).

Nesta fase, são fundamentais os princípios específicos da contenção, cobertura defensiva, equilíbrio e contenção.

Contenção: Consiste na marcação ao portador da bola, para roubar a bola ou parar o ataque. O defensor deve manter-se entre a bola e a baliza.

Cobertura defensiva: Apoio ao jogador que em contenção que marca o adversário com bola.

Equilíbrio: Cobertura dos espaços e jogadores livres e cobertura das linhas de passe.

Concentração: Organização colectiva para retirar amplitude e profundidade às acções ofensivas do adversário

Contenção, cobertura e equilíbrio

As equipas podem optar por os seguintes métodos de jogo defensivo:

Marcação individual

Cada atacante é marcado por um defesa, evitando que este receba a bola sob quaisquer circunstâncias. O adversário é a principal referência de jogo. Provoca rápido desgaste físico, é muito vulnerável a falhas individuais e permite a exploração dos espaços deixados livres.

Marcação individual

Marcação à zona

Atribui a cada jogador a responsabilidade por uma certa zona do campo, o qual intervém desde que aí penetre a bola, o adversário na posse de bola ou o adversário sem bola. Aumenta a dificuldade aos adversários em explorar zonas vitais do campo mas obriga a uma elevada sincronização colectiva e pode criar situações de desvantagem numérica em caso de entrada de 2 ou mais jogadores na zona de um defesa. Aqui temos um caso de defesa à zona em 4x3x3 com sectores próximos, deixando pouco espaço entrelinhas e formando uma linha de contenção (médios) e de cobertura (defesas).

Marcação à zona

Marcação mista

Desenvolve uma marcação ao atacante que evolui numa determinada zona do terreno, continuando mesmo que este progrida para outra zona, que não é seja da sua responsabilidade. Só depois do atacante se desfazer da bola ou outro companheiro assumir as suas funções, é que o defesa poderá voltar à sua zona. Dificulta a criação de situações de superioridade numérica para o adversário mas requer uma leitura constante das situações de jogo. Neste caso, o médio acompanha o adversário para a linha de fundo, deixando a sua ´zona de acção´.

Marcação mista

Marcação à zona pressionante

Permite a cada defesa evoluir na sua zona, mas deverá deslocar‐se para outras zonas concentrando‐se nos espaços de jogo próximo da bola, com marcação rigorosa ao adversário na posse da mesma. Para se obter uma maior concentração defensiva, diminui‐se a pressão exercida aos atacantes que estejam posicionados em espaços longe da bola. Aumenta o número de recuperações de bola mas impõe a criação constante de compensações, podendo desestabilizar a organização defensiva. Neste caso vemos como se forma um triângulo em redor do portador da bola, dificultando-lhe a acção. No entanto, abrem-se espaços noutros locais do terreno de jogo que podem ser aproveitados pelo adversário.

Zona Pressionante

 

Exemplos de como as equipas actuam no momento de organização defensiva:

 Pressão sobre os centrais adversários para impedir que estes saiam a jogar em passe curto desde trás. A pressão deve ser exercida pelo avançado e pelo médio-ofensivo, ajudados nas laterais pelos alas. Isto obriga a fazer passes de risco ou jogar longo com pouca definição.

Exemplo1_Pressão avançados sobre centrais

 

Obrigar os adversários a jogarem pelos corredores laterais, as zonas de recuperação, e pressionar quando a bola entrar nessas zonas.

Exemplo2_condicionar a jogar pela faixa

 

Efectuar a basculação defensiva para o lado onde está a bola. Toda a equipa deve descair para o lado onde está o adversário com posse de bola

Exemplo3_basculação defensiva

 

Movimentos de cobertura defensiva entre os defesas. Quando o avançado sai para receber a bola no espaço entrelinhas, deve um central sair para fazer contenção, enquanto os restantes elementos se agrupam e fazem uma linha de 3 na cobertura defensiva. O mesmo deve acontecer entre os médios: quando um sai para fazer contenção, o outro deve-se colocar nas suas costas para fazer cobertura e proteger o espaço central.

Exemplo4._Cobertura defensiva

 

Recusar a inferioridade numérica, garantindo sempre a existência de cobertura defensiva.

Exemplo6_superioridade numérica

Junção entre a linha defensiva e a linha média, reduzindo os espaços entrelinhas e impossibilitando os adversários de receberem a bola nesse espaço e se virarem de frente para os defesas.

Exemplo5_linhas compactas

 

Quando o jogador adversário está de costas para o bloco defensivo, a equipa deve aproveitar para subir, pressionar pelo lado cego e ganhar espaços à largura e à profundidade.

Exemplo8_ganhar profundidade

Quando o recebe a bola de frente para o bloco defensivo, com possibilidades de colocar a bola em boas condições nas costas da defesa, a equipa deve recuar, fechar os espaços e retirar profundidade.

Exemplo7_retirar profundidade

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