Erros defensivos primários e um apito traiçoeiro retiram Sporting da rota dos milhões

É costume dizer-se que a sorte dá muito trabalho. A mesma sorte que, na Rússia, foi madrasta para o Sporting. Os leões tiveram o pássaro na mão, mas um golo caído do céu para o CSKA no início do segundo tempo, uma decisão duvidosa do juiz da partida – que anulou um golo aparentemente limpo a Slimani – e inúmeras dificuldades defensivas, sobretudo ao nível do controlo da profundidade, retiraram o conjunto de Jorge Jesus da rota dos milhões. Este misto de azar com incompetência custou uma derrota dolorosa e muitos preciosos milhões aos cofres verdes e brancos.

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CSKA 3 – 1 Sporting (Doumbia 49´, 71´; Musa 83´; Teo Gutiérrez 36´)

À partida para estes duelos com o CSKA, líder do campeonato russo, sabia-se que o Sporting não costuma ser feliz nos playoffs e que a champions é uma competição para a qual Jorge Jesus não é particularmente dotado. Nada disto parecia interessar ao intervalo, quando os leões recolheram aos balneários com uma vantagem de 0-1 no jogo e de 1-3 na eliminatória. Foi ai que a tradição e o fantasma de 2005 emergiram para darem origem ao pior futebol da era Jorge Jesus, que custou bem caro: três golos sofridos infantilmente e uma eliminação, no mínimo, frustrante e estranha pela forma como aconteceu.

CSKA não mostrou ser superior ao Sporting

Sem colocar em causa o valor do CSKA, ninguém que tenha visto os dois jogos com atenção pode dizer que os russos são superiores ao Sporting. Bem pelo contrário, a equipa portuguesa apresentou qualidade individual e colectiva superior na maior parte dos 180 minutos. De pouco serviu. Doumbia e Musa, os dois czares do CSKA, expuseram cruelmente as fragilidades defensivas do Sporting. A título de exemplo, é incrível a quantidade de vezes em que Naldo se distrai e coloca os adversários em jogo. Assim, nem um dos melhores técnicos ao nível da organização defensiva resiste.

Em futebol jogado propriamente dito, chegou a ser confrangedora a forma como o CSKA não assumia o controlo das operações nem encontrava soluções para criar perigo junto à baliza de Rui Patrício. O Sporting dominava a bel-prazer e o apuramento parecia uma questão de tempo, uma mera formalidade. Surgiram então três belas prendas para os russos e um apito salvador do árbitro, num lance em que Slimani colocou de cabeça o esférico no fundo das redes. Seria o 2-2 e o fim da eliminatória, não fosse o checo Pavel Kralovec ter considerado que a bola saiu do rectângulo de jogo na marcação do canto.

Desgaste físico prejudicou no segundo tempo

No primeiro tempo, o Sporting esmagou na posse de bola e, embora sem grande profundidade no ataque, até pela ausência de Slimani do onze, colocou-se na frente do marcador numa excelente desmarcação de Teo Gutiérrez, que finalizou com classe. A ideia de Jesus passava por controlar o jogo com bola, num ritmo pausado. A estratégia resultou perfeitamente, mas ruiu como um castelo de cartas quando, na etapa complementar, o desgaste físico tomou conta de elementos como Aquilani, Bryan Ruiz ou até Carrillo. Os leões deixaram de conseguir ter a bola na sua posse, as linhas de passe não eram tantas e a equipa remeteu-se cada vez mais à sua zona defensiva.

Os leões falham um dos grandes objectivos da época, principalmente devido aos valores monetários envolvidos, e seguem agora para a Liga Europa, onde o objectivo só pode ser a final. Certamente custará a engolir esta derrota, tanto a JJ como aos adeptos, acima de tudo porque se reveste de pecados antigos: erros dos defesas a comprometerem em pouco tempo o que de bom se faz nos restantes períodos.

Destaques:

Doumbia: Está longe de ser um fenómeno a nível técnico, o que não o impediu de lançar o pânico no último reduto dos leões. Marcou 3 dos 4 golos do CSKA neste eliminatória, fazendo uso da sua força e velocidade.

Adrien: Enquanto esteve fisicamente apto, foi o maestro do meio-campo leonino, provando que é perfeitamente compatível com Aquilani. Caiu no segundo tempo e a equipa ressentiu-se da quebra na produção.

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