Onde estás, André Villas-Boas?

Onde está o Villas-Boas que, no FC Porto, liderava uma equipa que chegou a ser comparada por alguns críticos ao Barcelona (passe o exagero) pela forma como privilegiava a posse de bola, a procura de linhas de passe interior, as movimentações constantes e as trocas posicionais; como pacientemente tentava ganhar espaços e ´inventar´ esses espaços nas defesas adversárias, com constantes linhas de passe ao portador de bola?

Em contraste, o Zenit de AVB é um conjunto previsível, sem ideias ofensivas dignas desse nome, com dificuldades em articular três passes seguidos que não sejam entre os centrais, que explora constantemente a profundidade, especialmente através da velocidade de Hulk e o porte físico de Dzyuba, e com enormes carências no momentos de pressionar o adversário e de reagir à perda de bola. O Benfica, com todas as suas lacunas defensivas e a nível de equilíbrios no meio-campo, conseguiu sem dificuldades de maior travar as pouco imaginativas investidas dos Russos. Só Danny dava algum perfume ao futebol do Zenit. Uma gota no oceano…

Mais do que a derrota na eliminatória, o Zenit mostrou nos dois jogos frente ao Benfica que não tem armas para se superiorizar aos encarnados. Armas colectivas, entenda-se, porque individualmente elas existem. André Villas-Boas optou na Luz por ceder a posse de bola e apostar nos momentos de transição ofensiva para tirar alguma coisa do jogo. No final, afirmou que esta tem sido a postura na champions e que tinha dado frutos até ai. Tendo a atenuante de os russos virem de uma longa paragem no seu campeonato, o que se reflectiu sobretudo fisicamente, esperava-se bem mais do jogo na Rússia.

A falta de ritmo justifica factores como o menor rendimento físico ou a falta de entrosamento em alguns momentos da partida. Não justifica certamente que a equipa apresente um modelo de jogo pobre, com princípios que assentam em esticar o jogo rapidamente, na luta pela segunda bola e na exploração constante das faixas laterais, sem que se busquem desequilíbrios nas entrelinhas.

Colectivamente este Zenit é uma desilusão e Villas-Boas uma desilusão ainda maior. Não é de estranhar que ocupe a 5ª posição no campeonato. E a pergunta impõe-se: afinal, qual é o verdadeiro Villas-Boas? O do FC Porto avassalador, campeão nacional e vencedor da Liga Europa, ou o do Zenit que apresenta ideias de jogo patéticas?

Artigo escrito por Daniel Lima | Daniellima207@gmail.com

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