Quem tem medo do Fenerbahçe?

Se o investimento financeiro no plantel ganhasse jogos por si só, então certamente que o Fenerbahçe estava em clara vantagem para ultrapassar o Braga nos oitavos-de-final da Liga Europa. Mas como não é assim que funciona, pelo que viu no jogo na Turquia, os minhotos têm excelentes possibilidades de consumar a reviravolta e seguir em frente, apesar de o resultado da 1ª mão ser negativo – sofrer um golo na pedreira pode ser fatal.

O Fenerbahçe não é em nada superior ao SC Braga. Tem melhores jogadores, mas colectivamente é bem inferior. Os arsenalistas conseguiram, sem dificuldades de maior, travar o ataque pouco imaginativo dos turcos. A equipa de Vítor Pereira joga quase sempre fora do bloco, não explorando os espaços interiores, nem quando tem boas oportunidades para isso. Procura lançar os extremos para tirar partido de situações de 1×1 ou explorar as costas da defesa através do jogo directo, com um dos médios a juntar-se ao avançado. Mas tudo isto é feito de forma previsível e fácil de travar.

Podem-se queixar os minhotos de si próprios no golo sofrido, fruto de uma falha individual de Luiz Carlos e de más abordagens de Josué (devia ter travado a jogada com recurso à falta) e Willy Boly (devia ter-se preocupado mais em fechar o espaço central).

E podem queixar-se ainda de não terem dado melhor seguimento às situações de ataque construídas. Faltou calma no momento da tomada de decisão, especialmente tendo em conta a facilidade em entrar no espaço à frente da linha defensiva. E faltou atrevimento para arriscar mais nos momentos ofensivos. Sobrou, talvez, um excesso de respeito por um adversário que está perfeitamente ao alcance. O Fenerbahçe denota comportamentos defensivos muito pouco coordenados colectivamente, deixando espaços enormes entre os centrais que pecam por actuar com base em referências de marcação individuais. São também frágeis no momento de pressionar, abrindo brechas entre os blocos, sobretudo a linha defensiva e média, que devem ser exploradas.

Em Braga, o panorama pode facilmente inverter-se a favor do SC Braga, ainda que se saiba que o Fenerbahçe tem elementos que, individualmente, podem desequilibrar e fazer o tal golo que torna a missão dos arsenalistas bem mais complicada. Mas dificilmente os turcos saem de Braga sem sofrer golos.

Artigo escrito por Daniel Lima | Daniellima207@gmail.com

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