Shakhtar Donetsk: das fragilidades defensivas ao poderio no contra-ataque


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*As imagens para esta análise foram retiradas do jogo entre Schalke 04 e Shakhtar Donetsk, da 2ª mão dos dezasseis avos-de-final da Liga Europa. O Shakhtar venceu por 0-3 tirando partido de erros defensivos infantis dos alemães e marcando todos os golos em transição ofensiva.

O Shakhtar Donetsk, próximo adversário do SC Braga na Liga Europa, está bem longe de ser uma equipa assustadora ou que impressione pelos seus princípios de jogo. Pelo contrário, pode-se dizer que, face às opções, o sorteio foi amigo dos arsenalistas. Não é, certamente, um conjunto mais complicado que o Fenerbahce.

Os ucranianos, que actuam em 4-2-3-1, têm inúmeras fragilidades no processo defensivo que os minhotos poderão explorar para fazer golos, isto apesar de defenderem com muitos. Correndo os riscos inerentes aos exercícios de futurologia – ainda por cima sendo o tema futebol – será extremamente difícil ao Shakhtar sair de Braga sem sofrer tentos.

A equipa orientada por Mircea Lucescu actua com os sectores e os jogadores longe uns dos outros, não é eficaz a fazer campo pequeno nem tem bem definidos os referenciais de pressão e padece de um excesso de referências individuais que facilita imenso a acção dos avançados contrários. Mais parecem princípios defensivos à moda antiga, com cada um na marcação individual ao seu homem e um jogador solto a garantir superioridade numérica.

É comum, devido a estas autênticas perseguições individuais, ver-se os médios em contenção sem cobertura ou o espaço entrelinhas ficar vazio. Abrem-se enormes crateras entre os centrais e entre lateral e central. Com combinações rápidas ou em situações de transição ofensiva e igualdade numérica, a defensiva do Shakhtar perde facilmente a coordenação. Mesmo quando tem os 11 jogadores atrás da linha da bola é fácil desmontar esta defensiva.

O Braga deve insistir no arrastamento do duplo pivot para abrir o espaço à frente dos defesas. As descidas para receber dos avançados, com consequente arrastamento dos centrais ucranianos (os médios defensivos recuam para ocupar esse espaço, mas demoram a ajustar e perdem-se as marcações momentaneamente), são também boas oportunidades para movimentos de penetração dos extremos ou até dos laterais. Criar superioridade nas alas será essencial, quer para permitir atacar de fora para dentro, quer para criar condições para a exploração do espaço que os laterais ucranianos deixam frequentemente livre nas costas.

As bolas paradas podem ser outra arma para chegar ao golo. Nos cantos o Shakhtar opta por marcações individuais com apenas um homem livre e outro em cima da linha de golo ao 1º ou 2º poste poste. A linha defensiva não sobe após a disputa de bola, o que deixa os avançados contrários em jogo e pode ser aproveitado pelo SC Braga para ganhar segundas bolas e marcar numa recarga.

A principal força do Shakhtar está claramente na transição ofensiva. Com o perfume sul-americano dos extremos Taison e Marlos (tecnicamente os melhores da equipa) e do ponta-de-lança Ferreyra (ou Eduardo da Silva), a qualidade individual no 1×1 pode ser preocupante para Paulo Fonseca. Destaque também para o médio-ofensivo Kovalenko, que nas acções ofensivas tanto se aproxima para receber como se coloca perto do avançado para o jogo directo, e para o apoio que os laterais, Ismaily e Srna, dão no ataque. Mais perigo de Ismaily neste tipo de acções.

Já em organização ofensiva os ucranianos não oferecem grande perigo. A primeira fase de construção é habitualmente feita a 3, com descida dos médios e projecção dos laterais, mas ao mínimo sinal de pressão optam pelo pontapé longo para a frente, sem risco. O portador da bola fica muitas vezes sem opções de posse, há pouca mobilidade, com os colegas a privilegiarem a colocação na frente no sentido de receberem uma bola longa, um cruzamento ou atacarem a profundidade. A exploração das entrelinhas é quase inexistente, privilegiando-se o jogo exterior.

Atenção também às bolas paradas ofensivas, onde o Shakhtar Donetsk aposta em jogadas de laboratório e consegue criar várias situações de perigo.

Artigo escrito por Daniel Lima | Daniellima207@gmail.com

One thought on “Shakhtar Donetsk: das fragilidades defensivas ao poderio no contra-ataque

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