Braga – Shakhtar: o aproveitamento de Rafa no espaço entrelinhas

Já aqui abordamos, na semana passada, as fragilidades na organização defensiva do Shakhtar, que ficaram novamente evidentes em Braga.

Ao contrário do que foi dito por algumas pessoas e comentadores, os ucranianos não são nenhuma super-equipa e estiveram longe de fazer uma partida inteligente ao cederem o domínio de jogo. Na maior parte do tempo, nem sequer foram eficazes na aplicação da estratégia. Porque defenderam mal, apesar de o fazerem com muitos, e raramente saíram em contra-ataque em condições favoráveis – excepção feita a um período no 2º tempo, sensivelmente a partir dos 60m, em que o SC Braga perdeu organização. Foi claramente um jogo onde o resultado não espelhou o que se passou em campo.

No entanto, os minhotos não foram capazes de explorar convenientemente as fragilidades defensivas do Shakhtar, quer por falhas na tomada de decisão, quer por erros na finalização.

O Shakhtar é uma equipa que defende usando e abusando das referências individuais e é com facilidade que se consegue arrastar os seus elementos e desorganizar a linha defensiva e o duplo pivot. O Braga fê-lo por diversas ocasiões, mas poderia ter sido mais acutilante nessas acções e forçar mais o caminho pelo meio, jogando nas entrelinhas, dentro do bloco adversário. Essa pode a ser a chave do sucesso para o duelo da 2ª mão.

Nesse capítulo, Rafa (e, já agora, também Josué), o mais criativo dos minhotos, será determinante. É fundamental que apareça nesses locais, tal como será importante que os colegas estejam preparados para tentar solicitar o homem livre no espaço entrelinhas – na maior parte das vezes será Rafa, mas pode bem outro jogador a aparecer nessa posição.

Exemplos retirados do jogo da 1ª mão:

1 – Foram várias as situações em que Rafa tinha condições para receber em posição extremamente privilegiada e os colegas não lhe endossaram a bola, como se atesta nestes exemplos retirados apenas dos primeiros 12m de jogo. Nesse espaço entrelinhas, e de frente para a linha defensiva, Rafa poderia ter causado grande perigo:

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2 – Neste caso, em vez de ter optado pelo remate, Luiz Carlos deveria ter percebido que Rafa estava sozinho dentro da área, em situação de ficar na cara do guarda-redes contrário. Uma situação clara de golo que se perdeu por uma tomada de decisão de Luiz Carlos que não foi a que mais aproximava a equipa do sucesso.

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3 – Aqui um excelente exemplo de como Luiz Carlos conseguiu encontrar Rafa no espaço entrelinhas, com o lance a terminar num remate em excelente posição de Pedro Santos.  A defesa do Shakhtar não é eficaz a cortar as linhas de passe.

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4 – Como se pode ver nesta imagem, mesmo quando defende com todos os jogadores no seu meio-campo defensivo a organização defensiva do Shakhtar é miserável. Veja-se como Vukcevic conseguiu atacar o espaço e encontrar Rafa livre de marcação. Poderia até o médio ter progredido mais um pouco com a bola antes de passar a Rafa para criar dúvida na defesa ucraniana. O Braga terá a ganhar se apostar mais vezes nestas entradas desde trás dos médios.

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5 – Como os ucranianos jogam com os sectores muito afastados e com referências de marcação homem a homem, é também fácil ultrapassar a primeira linha de pressão do Shakhtar e criar superioridade numérica a meio-campo, como se vê nesta imagem.

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6 – Ao marcar HxH, o Shakhtar deixa muitas vezes os seus médios em contenção sem cobertura. Veja-se que o espaço à frente dos defesas está livre e Rafa, com a sua técnica, foi capaz de ultrapassar o adversário. A jogada termina com um remate muito perigoso já dentro da área de Stojiljković que o guarda-redes defende.

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7 – Outra alternativa passa por aproveitar as subidas dos laterais a entrarem de trás para a frente, como sucedeu neste caso. Os laterais do Shakhtar, ao acompanharem os extremos, deixam muito espaço nas costas que fica desprotegido.

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8 – Bolas paradas são outra forma de atacar a baliza do Shakhtar. A defesa ucraniano não sobe após a disputa da 1ª bola, tem até a tendência contrária de se concentrar em cima da baliza. Isto permite aos jogadores do SC Braga ficarem em jogo e em condições de marcarem numa recarga. Foi assim que surgiu a melhor ocasião do Braga em todo o jogo, com Rafa a atirar ao poste na sequência de uma confusão num pontapé de canto.

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O SC Braga tem na Ucrânia, frente ao Shakhtar Donetsk, a difícil tarefa de inverter a derrota por 1-2 na Pedreira nos quartos-de-final da Liga Europa. Mas numa altura em que está na moda utilizar a referência à saga Missão Impossível no mundo do futebol, pode-se dizer que neste caso Paulo Fonseca é bem capaz de resolver o problema e garantir o apuramento sem ter de chamar o Tom Cruise.

Artigo escrito por Daniel Lima | Daniellima207@gmail.com

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