Bayern Munique: o jogo colectivo perfeito e o erro individual a entregar a eliminatória

Colectivamente, o Bayern Munique fez, nesta 2ª mão diante do Atlético de Madrid, um jogo a roçar a perfeição. Dominou a posse de bola, encostou o Atlético na sua grande área, criou situações de finalização mais do que suficientes para se colocar a vencer por uma margem confortável e raramente permitiu que os espanhóis passassem do meio-campo em condições de colocarem em prática o seu ponto forte: a transição ofensiva.

No entanto, para além das lacunas na finalização, o Bayern acabou por entregar a eliminatória num lance em que Xabi Alonso (principalmente ele) e Boateng falharam na leitura do contexto e na tomada de decisão defensiva.

Em transição defensiva, a equipa de Guardiola procurava ´sufocar´ imediatamente os jogadores do Atlético após a perda de bola. No entanto, quem joga com as linhas tão subidas e envolve tantos jogadores no processo ofensivo tem de saber distinguir os momentos em que pode pressionar e em que deve recuar as linhas e adoptar uma postura mais ´conservadora´. Até porque, a este nível, é impossível manter o adversário encostado lá atrás durante 90 minutos.

Bayern Munique Atletico Transição defensiva
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Aqui, Xabi Alonso e Boateng precipitaram-se ao subirem os dois ao mesmo tempo no terreno para pressionar o portador da bola e falharam na interpretação do contexto. Um deles teria de manter a posição defensiva. Mais responsabilidades para Xabi Alonso, que era quem ocupava a posição central e estava mais recuado.

Um detalhe que permitiu ao Atlético, na sua primeira saída para o ataque digna desse nome, criar uma situação atacante de 2×2 e fazer o golo que garantiu a presença na final. A evidente superioridade colectiva foi posta em causa por um erro individual, erro esse que foi superiormente explorado pelo Atlético de Madrid para marcar através do seu jogador com mais potencial individual.

Uns segundos bastaram para comprometer o objectivo e o trabalho desenvolvido ao longo dos 90 minutos. Um erro que não se pode cometer a este nível.

Mérito para o Atlético pela forma como se aguentou e conseguiu tirar partido do único momento de desequilíbrio do Bayern até àquele momento. Teve evidentemente a chamada sorte do jogo, de as variáveis lhe terem sido favoráveis – bastava Muller ter convertido o penalti ou Griezmann não ter conseguido finalizar na primeira vez que chegaram à baliza de Neuer para tudo ser diferente.

No futebol nem sempre ganha o melhor. O resultado final de um jogo resulta da conjugação de imensas variáveis. Neste duelo, o erro de Boateng e Xabi Alonso foi uma variável com enorme peso.

Artigo escrito por Daniel Lima | Daniellima207@gmail.com

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