Entrevista a Andrés Madrid: “Tenho a ambição de chegar a patamares de elite”

Aos 34 anos, Andrés Madrid pendurou as chuteiras e abraçou a carreira de treinador. Na estreia no banco, foi notícia por ter obrigado o Benfica a aplicar-se para bater o Vianense em jogo da Taça de Portugal. O argentino relevou a ambição de chegar a patamares de elite enquanto técnico e recordou os tempos de jogador, desde a ascensão meteórica no SC Braga, passando pela conquista do campeonato no FC Porto e pela recta final no campeonato nacional de Seniores, sem esquecer as lesões crónicas que o obrigaram a acelerar o fim de carreira.

A pergunta é inevitável. Como um jogador que já passou pelo SC Braga e pelo FC Porto, por quem vai torcer Madrid tecnicoeste Domingo na final da Taça de Portugal? E quem considera favorito para este jogo?

Andrés Madrid: Como adepto do futebol gostava que fosse uma festa para a família e sem casos dentro e fora de campo. Gosto muito das duas equipas, tal como de todas as outras equipas pelas quais passei na minha carreira. A minha equipa do coração está na Argentina! Acredito que mesmo sem estar em óptima forma, equipas como o FC Porto são sempre favoritas.

Começou no Vianense uma nova faceta da sua carreira: a de treinador. E que incluiu um jogo frente ao Benfica em que a equipa esteve em excelente plano e obrigou os encarnados a suar muito para vencer. Como avalia esta primeira experiência enquanto técnico principal?

AM: Sim, uma nova etapa. Calhou logo um jogo da Taça de Portugal contra o Benfica, foi um momento fantástico para o clube e principalmente para os jogadores. Esta primeira experiência foi motivadora, com descobertas dia-a-dia que levam a questionar tudo e todos, foi realmente fantástico.

Que ambições tem para o seu futuro de treinador? É uma área em que pretende continuar a evoluir? E quais os treinadores cujo trabalho mais aprecia?

AM: Faz parte das ambições de todos os treinadores chegar a patamares de elite, mas para já só penso em ganhar uma experiência diferente da que tenho. Não chega a minha liderança e conhecimento do jogo, é fundamental estar sempre a acompanhar e evoluir faz parte dos meus planos. Aprendi com todos os treinadores que tive e não só, em tantos anos de profissão conhecemos pessoas do futebol que nos deixam qualquer coisa. Muito ou pouco, estamos sempre aprender.

Uma das suas principais características como jogador era o enorme sentido táctico e capacidade de colocação. Enquanto treinador, como se descreveria? Que modelo de jogo mais aprecia?

AM: Penso que ainda é cedo para me descrever porque não é em poucos meses que descobrimos a nossa identidade profissional. Acontece o mesmo com os sistemas, depende de muitas variantes e sempre vai ter que ser ajustado ao ambiente em que estamos inseridos (estrutura, jogadores, orçamento, cultura do clube, adeptos…).

amadridEnquanto jogador, na fase final da carreira passou pelo Mirandela e pelo Vianense, clubes do Campeonato Nacional de Seniores. Para quem brilhou nos maiores palcos portugueses, foi campeão nacional e inclusivamente jogou na Liga dos Campeões, que motivação encontrou para actuar neste escalão?

AM: No momento em que aparece o Mirandela já tinha decidido não jogar mais futebol. Foi duro voltar à forma física depois de tanto tempo parado mas as saudades da bola ganharam desta vez. Também sempre achei que quem precisa de motivação para entrar em campo se enganou na profissão, antes de chegar à champions e de conquistar o campeonato jogava em campos de terra com a mesma vontade do meu último jogo pelo Vianense. Se tenho saudades quando vejo na TV ou vou ao Estádio assistir a um jogo qualquer? Sim, mas faz parte da vida saber lidar com o que fomos, o que somos e o que podemos ser.

Chegou a Portugal em 2004 como um desconhecido, estreou-se num escaldante derby minhoto entre SC Braga e Vitória de Guimarães e, a partir dai, afirmou-se como um dos melhores jogadores em Portugal. Esperava um sucesso tão imediato?

AM: Sempre tive confiança em mim próprio, se calhar as pessoas deram-me valor por ter jogado logo dois jogos difíceis, frente a Vitória de Guimarães e Benfica, mas vinha de um país onde todos os jogos parecem derbis. A partir daí senti- me imediatamente valorizado.

A sua carreira foi também marcada por lesões que o começaram a atormentar no final de 2006 e foi gradualmente perdendo alguma preponderância na equipa titular do SC Braga. A certa altura gerou-se inclusivamente um certo mistério relativamente à pouca utilização do Andrés. Foram ´apenas´ as lesões ou houve mais factores a justificar a quebra de rendimento?

AM: Efectivamente, quando começaram a aparecer as lesões acabei por perder algumas oportunidades, mas sempre que a equipa precisava eu acelerava as recuperações para poder ajudar, o que veio a trazer lesões crónicas que aceleraram o fim de carreira. De resto, houveram especulações a respeito da minha ausência na equipa, mas nada que corresponda à verdade.

Em Janeiro de 2009 chegou ao FC Porto por empréstimo, mas acabou por jogar apenas em 9 jogos dos dragões. Quais os motivos para a pouca utilização? Considera que podia ter aproveitado melhor esta oportunidade?

AM: Desde que cheguei ao FC Porto que sabia que tinha de recuperar definitivamente das lesões e tive grande parte doANDRES MADRID PORTO tempo com treinos duplos e específicos para recuperar. Também era difícil assumir um lugar numa equipa que ganhava e estava recheada de grandes jogadores, mas sei que tudo fiz e guardo as melhores lembranças do tempo que lá passei.

Fez parte do plantel do SC Braga em 2009/10, quando o clube minhoto, com Domingos Paciência, esteve muito perto de chegar ao título. Quais considera terem sido os principais factores para o rendimento tão elevado da equipa nessa temporada? E como sentiu o balneário as polémicas suspensões de Vandinho e Mossoró?

AM: O rendimento do grupo sempre foi bom nos muitos anos em que tive no SC Braga. Por vezes o que muda são os comportamentos dos grupos em determinados momentos das respectivas competições, o que faz com que uma temporada boa passe a muito boa, e esse ano foi o caso. Quanto às suspensões, acabaram por fortalecer o grupo. Eram jogadores importantes, mas tínhamos um plantel equilibrado e com atletas com qualidade para desempenhar essas funções.

Aproxima-se o Europeu de 2016 e Fernando Santos tem duas boas opções para a posição de médio-defensivo: William Carvalho e Danilo Pereira. Sendo o Andrés Madrid um profundo conhecer da posição, quem escolheria para actuar a titular?

AM: Uma questão difícil…depende do que o Seleccionador pretenda para o início da competição, assim como do modelo do jogo, mas o Danilo tem vindo a ter maior utilização com a lesão do Tiago e tem sido do agrado do treinador.

 

Entrevista realizada por Daniel Lima | daniellima207@gmail.com

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