Alemanha-Itália: a final antecipada

As duas equipas colectivamente melhor preparadas deste Euro 16 jogaram a final mais cedo. Partida intensa e tacticamente rica entre as selecções que apresentam modelos de jogo e ideias de maior qualidade – embora bem distintas. As que são mais competentes colectivamente e, por isso, estão mais próximas da vitória que as restantes. Fica alguma tristeza por ver a Itália jogar com esta qualidade e cair numa fase precoce da competição, mas só um podia ficar e quis Neuer que fossem os germânicos. Eram e são os grandes favoritos à conquista do troféu.

Dificílima de bater está Itália de Conte, um conjunto que é a imagem do técnico pela forma como os jogadores interpretam na perfeição as suas ideias. À organização defensiva juntam a capacidade para perceber os timings para sair em transição ofensiva e ferir o adversário. Com um plantel mais fraco se comparado com Alemanha, Espanha, França ou até Bélgica, conseguem ser eficazes a defender o espaço central e viver bem sem bola. Rotinas que têm origem no facto dos 3 centrais serem da Juventus e de conhecerem bem Conte. Todos percebem a sua função em campo e agem de acordo com o planeado. Não é uma equipa que goste de ter iniciativa ou de controlar as operações através da posse, mas que assume essa faceta sem problemas e que aproveita para, quando tem bola, encontrar o espaço para chegar à baliza adversária. Entrou em França como um outsider e sai com a certeza de que, com outra sorte nos adversários, poderia perfeitamente ter chegado à final.

A Alemanha a mostrar mais uma vez a enorme superioridade do seu modelo e cultura táctica dos jogadores. A alterar o sistema e a estratégia para este duelo sem mudar o estilo ou as ideias. O contexto ditou que Low tentasse, face à aglomeração de jogadores que a Itália promove no espaço central, promover situações de igualdade ou superioridade numérica nas faixas laterais para criar acções ofensivas e depois garantir presença na área e promover situações de finalização. Na defesa colocou 3 centrais para garantir superioridade diante da dupla de avançados italianos. Fantástica a capacidade para sufocar o adversário com bola e recuperar rapidamente em transição defensiva. Enorme a qualidade individual que é potenciada pelo processo colectivo. Com o jogo controlado foi uma asneira de Boateng que fez com que os italianos regressassem à disputa da eliminatória. Pelo controlo que promovem com bola e qualidade de processos defensivos, não é de estranhar que tenham apenas um golo sofrido em toda a competição – e fruto de uma grande penalidade totalmente desnecessária. A eliminação, que bem poderia ter acontecido na decisão por penaltis, seria um castigo demasiado pesado para o que os germânicos fizeram.

Nas grandes penalidades dois monstros a brilharem na baliza: Neuer e Buffon. Um espectáculo à parte!

 

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