Antoine Griezmann a jogar no espaço central 

Finalmente a afirmação neste Euro de Griezmann, muito relacionada com a colocação no terreno atrás do ponta-de-lança nestes últimos 2 jogos. A França a acrescentar muito mais qualidade ao seu jogo a partir do momento em que abdicou de Kante no meio-campo, lançou Griezmann a 10 e permitiu a Pogba jogar onde se sente mais confortável: fora do bloco, vindo de trás para a frente em progressão com a bola controlada.

Qualidade individual incrível de Griezmann, que aos 25 anos está ao nível dos melhores do mundo. No primeiro tempo foi praticamente o único a conseguir incomodar a defesa germânica. Recebe e enquadra com a linha defensiva com facilidade imensa; progride com velocidade quando tem espaço, fixa e solta no momento certo; em espaços curtos sabe como combinar com os colegas e encontrar soluções criativas para cada contexto e é forte no 1-para-1. Quando o jogo passa pelos seus pés, as acções prosseguem quase sempre em melhores condições do que quando a recebeu. 

É no espaço central que Griezmann  se sente confortável. A receber em zonas de criação é perigossimo na definição que dá aos lances e tem grande capacidade de chegada nos momentos de finalização. Deschamps percebeu a tempo que não pode abdicar do avançado do Atlético Madrid a vaguear pelo espaço entrelinhas. E que essa nuance estratégica introduzida desde a segunda parte com a Irlanda, nos oitavos-de-final, lhe pode valer o título.

P.S.: A vitória da França acaba por ser uma boa notícia para Portugal, que tem mais hipóteses de êxitona final frente aos bleus que diante da Alemanha. Os germânicos mostraram que são colectivamente muito superiores mas acabaram por ficar pelo caminho devido a 2 momentos inacreditáveis de auto-flagelação. Só se podem queixar de si próprios e de terem cometido erros pouco compreensíveis a este nível.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *