O Rio Ave de Nuno Capucho – parte 2

Já  aqui falamos do Rio Ave de Nuno Capucho após o primeiro jogo da época e daquele que se desenhava como um dos mais interessantes modelos de jogo em Portugal. Com alguns retoques entretanto efectuados no sistema táctico, os vila-condenses corrigiram um início de época algo periclitante e, graças a 1 empate e 3 vitórias consecutivas, somam 10 pontos e conquistaram uma impressionante vitória sobre o Sporting, a melhor equipa, em termos colectivos, da liga portuguesa.

Frente aos leões, o Rio Ave apresentou-se em 4x3x3. Capucho voltou ao sistema que é mais familiar aos jogadores, talvez por ter percebido que o 4x4x2 losango levaria mais tempo a criar rotinas e padrões comportamentais. Uma cedência face à necessidade de obter resultados a curto prazo depois da eliminação europeia e da derrota na jornada inicial frente ao FC Porto – num jogo em que o Rio Ave até dominou e acabou traído por erros defensivos.

A mudança para o 4x3x3 fez com que a equipa se sentisse confortável tendo Guedes como referência mais fixa na frente do ataque. Também Gil Dias parece ter beneficiado do facto de partir de uma faixa para atacar zonas mais centrais do terreno (era utilizado a avançado), tal como Tarantini se sente no seu habitat a actuar a ´8´, na zona central do meio-campo (era utilizado como interior-direito).

Os vila-condenses jogaram no campo todo e exerceram forte pressão na 1ª fase de construção do Sporting, tendo por objectivos recuperar o esférico em zonas adiantadas parta lançar a transição ofensiva e obrigando o conjunto de JJ a ter de recorrer demasiadas vezes ao jogo directo e a ter algumas perdas de bola comprometedoras. William e Adrien eram tapados na ligação entre construção e criação por Rubén Ribeiro e Tarantini. Guedes pressionava o central com bola e fechava linhas de passe. Wakaso, junto dos centrais, preparava a reacção a uma bola longa. O jogador livre do Sporting era o central do lado contrário.

Nas perdas de bola no meio-campo do Sporting, o Rio Ave procurava reagir, em transição defensiva, mantendo o bloco subido e colocando 3 jogadores perto do portador da bola. Quando conseguiu recuperar o esférico, eram várias as opções de que dispunham face a essa colocação adiantada no terreno.

O Rio Ave demonstrou preocupação por não deixar o Sporting explorar as zonas interiores, pressionando imediatamente o portador quando este recebia a bola nesse espaço de costas para a baliza e obrigando os leões a ter de jogar fora do bloco, algo que raramente conseguiram fazer com eficácia.



Os vila-condenses são uma equipa que têm uma enorme margem de progressão ao longo da temporada, especialmente ao nível da organização ofensiva e do controlo do jogo com bola. Para poder implementar as suas ideias e princípios de jogo, Capucho precisa que os resultados o acompanhem e que os jogadores (bem como dirigentes e adeptos) acreditem que este processo os vai aproximar do sucesso. No futuro espera-se ver um Rio Ave ainda mais dominante em organização ofensiva, mais segura na construção e menos precipitado na busca da profundidade.

Artigo escrito por Daniel Lima | Daniellima207@gmail.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *