A pressão alta do Setúbal de José Couceiro a travar o Benfica

Corajosa e extremamente ambiciosa a forma como o Vitória de Setúbal encarou estrategicamente o jogo com o Benfica. A fazer por ter a sorte, a ´estrelinha´ que o próprio José Couceiro, no final do encontro, reconheceu ter estado do seu lado. Disposto num 4x4x2, o Setúbal pressionou alto na 1ª fase de construção dos encarnados e condicionou fortemente, especialmente no primeiro tempo, a ligação entre construção e criação do Benfica. Raramente a equipa de Rui Vitória conseguiu ultrapassar com qualidade essa 1ª linha de pressão e fazer chegar a bola aos médios , concedendo ainda ao adversário várias recuperações de bola em zonas avançadas do terreno.

Na 1º fase de construção do Benfica, os avançados do Setúbal pressionavam os centrais e só quando a bola ultrapassava a linha de meio-campo o segundo avançado, Vasco Matos, se juntava à linha média (Mikel Agu e Bonilha). Eram esses mesmos médios que acompanhavam as descidas de Pizzi e Fejsa para impedir que recebessem e orientassem para o ataque, enquanto os alas impediam a entrada da bola nos laterais. Quando eram os alas do Benfica a aparecer para receber o esférico, imediatamente os laterais subiam para junto da linha do meio-campo e pressionavam o lado cego, impedindo a progressão. Excelente a equipa a perceber, colectivamente, os referenciais de pressão e a acelerar assim que eles estavam presentes.

Set_Ben1 from Grande Círculo on Vimeo.

O Benfica não conseguiu encontrar soluções colectivas para sair deste ´colete de forças´. Os avançados encarnados, cuja qualidade individual leva a que façam a diferença no último terço do terreno, raramente conseguiram ter espaço ou condições para criar desequilíbrios. José Couceiro, ao levar o jogo para longe da sua área, impediu que as individualidades do Benfica decidissem a partida, como tantas e tantas vezes sucede.

Set_Ben2 from Grande Círculo on Vimeo.

Em organização defensiva, o Setúbal conseguiu evitar a acumulação de defensores nos últimos metros. Organizada a pressão em duas linhas de 4, procurou defender o mais alto possível, condicionando o adversário para zonas exteriores e tentando impedir que a bola rodasse pela cobertura ofensiva e que se variasse o centro de jogo. Couceiro optou por controlar a largura mantendo a linha defensiva com 4 elementos, com os extremos a fecharem o espaço interior e a não acompanharem imediatamente a subida do lateral – só quando a bola entrava no lateral o extremo saia na contenção/cobertura.  Abordagem bem diferente teve o Tondela na Luz, ao colocar 5/6 elementos na última linha para controlar a largura e impedir situações de 1×1 dos extremos encarnados com os laterais. O Benfica teve assim extrema facilidade em chegar à última linha e os seus elementos mais criativos tiveram demasiado espaço para decidir.

 

Artigo escrito por Daniel Lima | Daniellima207@gmail.com

 

 

 

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