FC Porto – Sporting: a incapacidade dos leões em explorar o espaço interior

No clássico, um dos principais motivos para o desfecho favorável ao FC Porto esteve na incapacidade que o Sporting demonstrou, desde a 1ª fase de construção, para explorar o jogo interior e tirar partido do espaço entrelinhas, especialmente no primeiro tempo. Face a um adversário cuja estratégia passou por explorar rapidamente a profundidade e forçar situações em que os seus extremos conseguissem enfrentar o lateral contrário em igualdade numérica, fazendo uso da técnica apurada de Brahimi e Corona, cabia aos leões aproveitarem o facto de terem a iniciativa de jogo para beneficiar das fraquezas em organização defensiva dos Dragões.

Organizado num 4x4x2 clássico, Nuno Espírito Santo colocou os médios-centro, Danilo e Óliver, a fazerem marcação individual ao 2º avançado do Sporting (Bryan Ruiz e depois Alan Ruiz) e a Adrien, respectivamente. Se forçados a movimentos de arrastamento, abriam autênticos buracos à frente da linha defensiva, onde o Sporting poderia aproveitar para criar superioridade numérica com a colocação dos extremos em zonas interiores ou com as descidas de Bas Dost. No entanto, poucas vezes foram obrigados a sair de posição. Jorge Jesus optou, na 1ª fase de construção, por fazer a saída pelas faixas laterais, o implicava menos riscos em caso de perda mas beneficiava imenso os ´encaixes´ promovidos pelo Porto. Raramente o Sporting ligou construção com criação. Palhinha juntava-se aos centrais, mas a superioridade numérica (3×2) criada nessa zona nunca foi aproveitada. O jovem médio leonino praticamente não existiu em termos ofensivos e nunca recebeu nas costas dos 2 avançados do FC Porto, algo que poderia obrigar a linha média do Porto a vacilar.

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Na 2ª parte, o Sporting melhorou na saída de bola. Ao colocar Bryan Ruiz (desviado para ala-esquerdo) a actuar em zonas interiores quando em posse, conseguiu finalmente tirar partido das fragilidades do meio-campo do FC Porto – algo que com Matheus não aconteceu. Com o esférico a circular mais rápido, com maior critério e com mais variações do centro de jogo, os Dragões ficaram desconfortáveis e abriram-se finalmente os espaços para Adrien e o 2º avançado (agora Alan Ruiz) se ´livrarem´ das marcações individuais. Até a entrada de André André em detrimento de André Silva, o Sporting teve várias jogadas em que chegou com perigo a zonas de finalização. O FC Porto reorganizou-se em 4x3x3 e desapareceu a nível ofensivo, mas foi demasiado tarde para a os verdes e brancos chegarem ao empate.

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Artigo escrito por Daniel Lima | Daniellima207@gmail.com

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