SC Braga: De correr com bola a correr atrás da bola

Se há equipa em Portugal onde é visível a importância que as ideias de um treinador e a sua capacidade para as operacionalizar têm na qualidade exibicional, essa equipa é o SC Braga. Após uma temporada em que apresentou um modelo de jogo extremamente atractivo e ofensivo, baseado no controlo através da posse de bola e com competência nos vários momentos do jogo, a saída de Paulo Fonseca coincidiu imediatamente com uma queda abrupta nessa qualidade apresentada.

De um conjunto que corria com bola, o SC Braga passou a correr atrás da bola. Pode parecer o mesmo, mas são dois conceitos bem diferentes. Actualmente os arsenalistas estão a viver o pior período da época e não se pode dizer que esta série negativa seja surpreendente. Quem acompanha o percurso da equipa facilmente percebe que as exibições foram sempre bem piores que os resultados, sobretudo no campeonato – já as participações na Liga Europa e Taça de Portugal foram extremamente pobres.

A mudança de treinador, com Jorge Simão a render José Peseiro, acabou por não surtir o efeito desejado. As exibições, tal como até ai, continuaram a roçar a mediocridade e, à semelhança do antecessor, Simão logrou somar pontos, numa fase inicial, pouco fazendo para isso. O jogo em Alvalade foi mesmo uma excepção, com os arsenalistas a exibirem-se nesse duelo a um nível mais próximo do que conseguiram na época transacta.

Quem joga mal e ganha, vai deixar de ganhar. Porque ao jogar mal, o controlo do risco e do caos que é o jogo é muito menor. Os factores externos (a sorte, o vento, a bola que vai ao poste e entra ou sai, o jogador que escorrega, o guarda-redes que deixa um frango, o ressalto caprichoso, etc.) terão sempre influência maior no resultado final. E esse factores não estarão sempre a favor da mesma equipa. O SC Braga não foi excepção a esta regra e está agora numa situação complicada: com a equipa a ser incapaz de encontrar colectivamente soluções para chegar às vitórias, perde-se aquilo que, ainda assim, lhe permitiu ir vencendo sem convencer: a confiança dos jogadores que, fruto da sua qualidade individual superior a grande parte dos adversários, iam resolvendo os jogos.

Foi acima de tudo em organização ofensiva que a equipa mais regrediu. Onde antigamente se procurava um futebol apoiado com exploração do corredor central e linhas de passe próximas, a aposta passa agora pelo futebol directo e por atacar pelos corredores, na tentativa de explorar rapidamente a profundidade ou cruzar a bola para a área. O espaço entrelinhas é um deserto e as opções dadas ao portador da bola são extremamente limitadas. A equipa assume um bloco mais baixo na construção e os centrais perderam protagonismo nessa fase.

Braga from Grande Círculo on Vimeo.

Os médios-centro recuam em demasia e adoptam diversas vezes posição na mesma linha, o que leva a que não haja ligação coerente entre construção e criação. Se o objectivo é arriscar menos na construção e prevenir uma possível perda em zona central, o facto de permitir aos adversários recuperar a posse com facilidade acaba por fazer com que essa seja uma falsa segurança – veja-se no vídeo como surge o golo do Estoril.

Por esse motivo, o SC Braga tem sentido grandes dificuldades em controlar os jogos perante equipas bem inferiores. Se estiver em desvantagem, a situação complica-se ainda mais,  já que não é um conjunto preparado para assumir as rédeas do jogo. Com as fragilidades em organização ofensiva vêm também as debilidades na transição defensiva, já que a equipa não consegue estar próxima para pressionar rapidamente após a perda.

Artigo escrito por Daniel Lima | Daniellima207@gmail.com

 

 

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