Rio Ave: a maior posse de bola em Alvalade e os ´chutos para a frente e três à pesca´

O Rio Ave foi a primeira equipa esta temporada que, em Alvalade, teve maior percentagem de posse de bola (54%) do que o Sporting. Conseguiu esconder o esférico do adversário, gerir os ritmos de jogo. Criou quatro ou cinco situações claras de golo, não concretizadas pela ineficácia dos avançados e pela exibição inspirada do guarda-redes Rui Patrício, o melhor em campo. Ao longo de todo o jogo, o Sporting fez 6 remates (os vila-condenses fizeram 11) e marcou o golo da vitória praticamente na única jogada de perigo que criou. O Rio Ave foi superior, esteve colectivamente melhor organizado, mas acabou por sucumbir face ao poderio do adversário. Algo que até tem semelhanças com o se tinha verificado no Dragão, onde teve 51% de posse de bola.

No final do jogo, Luís Castro foi questionado se perante esta derrota e os recentes resultados aquém do esperado (segue em 10º da Liga, classificação que em nada espelha a qualidade de jogo da equipa), tencionava alterar os seus princípios de jogo. “Uns chutos para frente e três à pesca à frente para ver se fazem golos, querem isso? Não podemos mudar para isso. Acho que vamos cumpridos com a exposição mas tristes com o resultado”, respondeu o técnico Vila-condense.

É uma tendência habitual – embora pouco compreensível e proveniente do desconhecimento do jogo que ainda prevalece – esta de colocar em causa o modelo de jogo dos técnicos que, mesmo perante oponentes superiores, colocam as suas equipas a actuar no campo todo, com um futebol apoiado e adoptando estratégias ambiciosas. De tão habituado que o público está, especialmente nas partidas dos ´três grandes´, a ver 11 jogadores praticamente metidos a defender na sua grande área durante os 90 minutos, estranham quando alguém ´ousa´ fazer diferente. E se quem faz diferente não consegue um resultado positivo, associa-se imediatamente a derrota a essa atitude ousada.

Quantas vezes ouvimos um técnico que coloca o ´autocarro´ em campo e perde ser questionado sobre se está a pensar alterar as suas ideias de jogo? Nenhuma. Mas se a equipa joga bem, pratica um futebol positivo e perde, a questão é levantada. Porque ainda subsiste nas pessoas a ideia totalmente errada que defender com muitos, não arriscar e chutar a bola para a frente sem critério, procurando o avançado ou extremos rápidos, é a melhor maneira de ter sucesso. É a isto que grande parte das pessoas insiste em chamar de ´futebol resultadista´ ou ´prático´, e se lhe dão estes nomes é porque acreditam que resulta.

Na verdade, não resulta. Num país como Portugal, pioneiro em vários aspectos no pensamento do futebol moderno, o facto de esta ideia pré-concebida permanecer nas cabeças das pessoas só mostra que se passa demasiado tempo a discutir arbitragens e assuntos acessórios e menos a falar sobre a essência do jogo. O normal para uma equipa que defronta um grande, ainda mais fora de casa, é perder. Isto porque a diferença de valores individuais é abissal. Mas se só defender, mais perto estará dessa derrota. Se conseguir ter qualidade com bola, nas saídas em transição ofensiva e, quando possível, actuar em organização ofensiva, afastando a bola da sua baliza e procurando o golo, mais perto estará de empatar ou até vencer.

Para quem não viu o Sporting – Rio Ave, procurem rever o jogo na totalidade. Pelo menos, vejam o resumo. Será que o Rio Ave teria melhores probabilidades de não perder se se limitasse a defender?

Artigo escrito por Daniel Lima | Daniellima207@gmail.com

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