Melhores condições para a formação, piores jogadores. O fim do futebol de rua!

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«Manuel Machado, entre outros elementos, aponta para a formação para explicar um futebol menos atraente. Para o técnico assiste-se a uma «formatação» do jogador português, o que acaba por condicionar o seu desenvolvimento.

´O processo formativo está hoje muito mais condicionado do que estava há 30 anos, o que gera uma qualidade de movimentos geral muito mais pobre do que aquela com que se trabalhava antes. É uma questão passível de ser corrigida, utilizando metodologias diferenciada. Hoje em dia o jogador é produto de escola, não é produto de rua´, concluiu.

Miguel Leal terminou a sua intervenção sobre o tema a admitir que é necessário «rever o trabalho da formação realizado pelos clubes» de forma a fazer evoluir o jogador, numa primeira fase do ponto de vista individual e, numa idade mais avançada, do ponto de vista coletivo.»

Fonte: http://www.maisfutebol.iol.pt/treinadores/manuel-machado/o-futebol-esta-chato-ideias-sobre-evolucao-e-empobrecimento

Se é indiscutível que as condições para a prática desportiva na formação são hoje em dia muito melhores do que no passado, porque é que tal não tem reflexo numa melhoria geral na qualidade dos jovens jogadores?

Porque faz imensa falta às crianças a experiência que só o futebol de rua proporciona e que existia no passado. O sair de casa com a bola em baixo do braço e jogar todo o dia até a bola estoirar, ir para cima de um telhado ou até o anoitecer e já não se conseguir ver a baliza formada por duas mochilas; o voltar a casa com as calças rebentadas, os ténis rotos e os joelhos esfolados de cair no asfalto ou na terra batida; o experimentar sem barreiras, correções e supervisões de adultos; o ter de conseguir jogar em campos inclinados e cheios de buracos ou o ter de lutar para não ser escolhido em último e para ultrapassar adversários mais velhos. Este acumular de horas de prática é a melhor formação que pode existir e a melhor forma de criar jogadores talentosos e irreverentes.

Cristiano Ronaldo é um excelente exemplo. A infância foi passada na rua, com uma bola, a jogar livremente, a recriar-se, a aprender pela experiência. Seria CR7 o jogador que é hoje se lhe tirassem a rua e seu processo de formação se restringisse às horas de pratica numa qualquer escola de futebol, como hoje acontece com tantas e tantas crianças? Obviamente que não.

E se o futebol de rua praticamente desapareceu e a prática de futebol dos jovens se limita ao tempo passado nas escolas de futebol, ainda pior se torna o problema se os treinadores lhes procuram incutir demasiadas regras e conceitos de organização e não os deixam experimentar livremente, sem medo de errar. Ou se os treinos são desenhados de tal modo que na maior parte do tempo estão parados a aguardar a sua vez de intervir nos exercícios. A obsessão de vencer e o ego de muitos treinadores dos escalões de formação leva a que até com crianças se ponha o sucesso acima das necessidades de formação.

Quantas vezes se aposta nos miúdos apenas por serem fisicamente mais fortes em detrimento dos franzinos mas talentos? Quantas vezes vemos treinadores (assim como pais) a berrar ordens a crianças que apenas se querem divertir? E quantas vezes se retira aos jovens a possibilidade de experimentarem várias posições em campo, e evoluir ao experimentar diferentes contextos, porque são mais úteis para se chegar à vitoria numa determinada posição?

Artigo escrito por Daniel Lima | Daniellima207@gmail.com

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