Evolução dos sistemas tácticos no futebol – Parte 1

Para se perceber como chegamos aos sistemas táticos utilizados no futebol moderno, é importante olharmos para a evolução do futebol ao longo de mais de 150 anos. Os esquemas taticos que actualmente se utilizam – 4-4-2, 4-3-3, 3-5-2, 3-4-3, etc. – resultam de uma evolução que teve várias latitudes e diferentes protagonistas, reflectindo formas diversas de pensar o jogo e uma procura constante de soluções criativas para se chegar às vitórias.

Os primórdios: do 1-1-8 ao  2-3-5

O primeiro sistema conhecido data de 1863 e era o 1-1-8. As noções táticas eram praticamente inexistentes e o jogo baseava na procura constante da baliza adversário através de ações individuais, sem que praticamente existissem preocupações defensivas ou com o equilíbrio coletivo.

Progressivamente os jogadores na frente do ataque foram recuando no terreno para ocupar posições no meio-campo. Até 1883 surgiram pequenas evoluções com disposições como o 2-2-6, o 1-2-7 ou o 2-2-6. Foi em 1884 que surgiu o 2-3-5, também denominado de “sistema clássico” ou “pirâmide”. Neste sistema já continha algum equilíbrio e definia com maior precisão os sectores da defesa, meio-campo e ataque.

O ´WM´ do Arsenal de Chapman

1925 foi um ano marcante para a evolução dos sistemas táticos. A alteração na regra do fora-de-jogo, que passa de três para dois defesas entre o último avançado e a baliza, levou a que o inglês Herbert Chapman, treinador do Arsenal, criasse o famoso ´WM´ – o 3-2-2-3. A disposição dos jogadores assemelhava-se a um W e um M, dai ter ficado conhecido por esse nome.

A Hungria de Sebes e o jogo do século

O WM foi uma referência até ao início dos anos 50, altura em que a Hungria de Gusztav Sebes revolucionou com o 4-2-4, acrescentando mais um elemento à linha defensiva. Este é um sistema bem mais próximo do que se vê atualmente, introduzindo ainda conceitos de dinâmica que inovaram face ao existente. Os húngaros, com Puskás no ataque, foram campeões olímpicos em Helsínquia 52, finalistas vencidos do campeonato do mundo de 54 e, talvez mais importante que tudo o resto, golearam a Inglaterra em Wembley, por 6-3, numa partida denominada de ´Jogo do Século´ onde demonstraram uma enorme superioridade face àquela que, à época, era considera a melhor seleção do mundo.

Do Brasil surgiu, em 1958, uma evolução face ao sistema introduzido pelos húngaros. A selecção canarinha, onde despontava Pelé e com Vicente Feola ao leme, surpreendeu com o 4-3-3 que lhe valeu a conquista do campeonato do mundo na Suécia.

O apogeu do Catenaccio nos anos 60

Da Itália veio o Catenaccio, um sistema em 5-4-1 ou 5-3-3 que privilegiava a defesa, as marcações individuais cerradas e o contra-ataque, cedendo a iniciativa de jogo ao adversário. Com origem nos anos 30 – utilizando as ideias do austríaco Karl Rappan, técnico do Grasshopers e mais tarde da Selecção Suíça, a selecção italiana foi bicampeã do mundo em 1934 e 1938 com o treinador Vittorio Pozzo -, o seu apogeu ocorreu nos anos 60 com o Inter de Milão bicampeão Europeu, dirigido por Helenio Herrera.

O 4-4-2 da Inglaterra de 66

No campeonato do mundo de 1966, a Inglaterra de Alf Ramsey voltou a inovar com o 4-4-2, tendo por base o 4-2-4 e recuando os extremos, que passaram a ´invadir´ espaços interiores. Dai a equipa ter ficado conhecida por “wingless wonders”. O esquema consistia numa linha defensiva de quatro, com quatro elementos, em diamante, no meio-campo a conferir maior consistência defensiva. Na frente, dois avançados fisicamente possantes, Hunt e Hurst, a disputar os cruzamentos e bolas bombeadas para a frente.

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