Como o FC Porto ganhou o clássico. As consequências defensivas da estratégia de JJ.

Ao terceiro clássico entre FC Porto e Sporting surgiu finalmente…um golo. O jogo não deixa saudades, mas ainda assim foi o mais emotivo dos disputados até agora entre as duas equipas. Em 270 minutos só por uma vez a bola encontrou o caminho das redes, o que não é propriamente surpreendente tendo em conta o perfil das equipas em confronto e o equilíbrio nas suas valias individuais. Ainda que atendendo ao facto de o futebol ser um jogo caótico, pródigo em surpresas e imprevisível no seu resultado final, não será de estranhar que os dois duelos que faltam entre estas equipas resultem em pouquíssimos golos.

Ambos os conjuntos são fortes em organização defensiva e têm deixado a desejar nos processos ofensivos, dependendo em demasia da qualidade individual das suas unidades mais influentes para provocar desequilíbrios. Os dragões assumiram uma postura mais ofensiva perante um adversário que, face ao contexto de ser uma eliminatória a duas mãos, procurou tirar partida das transições ofensivas sem destapar a sua zona mais recuada. Só nos últimos 15 minutos, quando perdia por 1-0, o Sporting conseguiu algum ascendente na partida.

Sporting em construção com uma saída a 3 e alas/laterais bem abertos para receberem à frente da linha média do FC Porto. Gelson a recuar para procurar bola e meter a velocidade.

Jorge Jesus decidiu mexer na estrutura habitual da equipa implementado uma estratégia que procurava fugir às habituais zonas de pressão montadas pelo FC Porto no momento de construção. Colocou Piccini por dentro e optou por uma saída a três (Piccini, Coates e Mathieu), com Bruno Fernandes e Battaglia a ajudarem na ligação com a criação e os alas/laterais Coentrão e Ristovski profundos, a darem largura para receberem atrás da linha média do Porto. Na frente Acuña descaia para a esquerda, Gelson levava o jogo pelo meio e Doumbia ocupava a faixa direita (Doumbia e Gelson trocavam várias vezes de posição).

Mas este esquema teve consequências a nível defensivo. Acabou por permitir demasiada liberdade aos alas e médios do FC Porto para receberem em zonas interiores. Os leões somaram elementos à linha defensiva mas retiraram à linha média capacidade para travar as investidas dos azuis e brancos. A isto juntou-se alguma confusão nas marcações que permitia ao portador da bola dos dragões ter linhas de passe livres e tempo para a tomada de decisão.

Os 2 médios-centro do Sporting facilmente deslocados e a permitirem muitos espaço nas suas costas. Ristovski e Coentrão longe para ajudarem e o Porto com espaço para explorar de frente para linha defensiva.

O espaço nas costas dos médios do Sporting. Brahimi vai receber livre, com Acuna atento a Ricardo e Coentrão a Corona.

Sérgio Oliveira a encontrar Corona perante uma linha média desorganizada do Sporting. Com espaço, o mexicano vai virar-se de frente e isolar Herrera, que entra em ruptura pelo meio de Coates e Piccini.

Na saída do FC Porto em construção Piccini tentava impedir que Brahimi recebesse. Mas raramente o conseguia fazer com sucesso, já que tinha de sair da linha defensiva e percorrer um longo caminho.

Uma situação que podia ter sido melhor aproveitada pelo FC Porto. Com Battaglia e B. Fernandes a terem dificuldades em controlar o meio-campo, surgiam espaços para receber no espaço entrelinhas. Se esta bola tem chegado a S. Oliveira, estava criada uma situação com enorme potencial. Portador optou por jogar longo.

No habitual 4x4x2, Sérgio Conceição assumiu algum risco ao apostar em dois elementos ofensivos e fortes no 1×1, Brahimi e Corona. Os dois dispuseram de invulgar espaço para receber em zonas interiores, nas costas dos médios leoninos, e dos seus pés saíram as melhores jogadas de ataque do FC Porto. Também Ricardo Pereira esteve interventivo a aproveitar o espaço na faixa direita, nas costas de Fábio Coentrão. O resto foi o que se tem visto: muita bola na frente a solicitar os duelo físicos de Marega e Soares com aproveitamento das segundas bolas, cruzamentos (com bons executnates como Telles e Sérgio Oliveira), mesmo que em condições aparentemente desvantajosas, para tirar partido desse poderia físico dos avançados dentro de área.

A pressão do FC Porto na 1ª fase de construção do Sporting com os avançados, Soares e Marega, a saírem aos centrais e a fecharem destes com os laterais. Médios a impedirem B. Fernandes e Battaglia de receberem.

Ofensivamente o Sporting até conseguiu ser eficaz na primeira fase de construção, essencialmente quando a bola chegava aos pés de Bruno Fernandes, mas faltavam elementos na frente para dar continuidade às jogadas, já que ficavam vários jogadores atrás da linha da bola. A pressão exercida por Sérgio Oliveira e Herrera resultou em recuperações de bola que acabaram por ser fatais, nomeadamente no lance do golo. Quanto a saídas rápidas, os leões dispuseram de jogadas com enorme potencial, conduzidas quase invariavelmente por Gelson Martins, mas faltou melhor definição para tirar o devido proveito. Gelson é um desequilibrador mas falta-lhe essa capacidade de definição. Na parte final do desafio o Sporting voltou ao 4x4x2 e poderia ter sido feliz num lance em que Rùben Ribeiro se precipita frente a Casillas.

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